Felicidade Por Um Fio


Está no paralelo entre a obsessão com os cabelos lisos e perfeitos e a ditadura da perfeição feminina dos tempos atuais. O argumento retirado do livro Nappily Ever After de Trisha Thomas, surfa nas atuais ondas do empoderamento feminino e da beleza negra simultaneamente.

Uma aparência impecável. Perfeição que ela mantém através uma rotina meticulosa e muito trabalho. Quando seu namorado se mostra insatisfeito com a tanta perfeição, a vida da moça entra em colapso e ela repensa todos os seus valores.

Não faltam produtos, técnicas e exemplos para ajudar às mulheres a fazer a tal transição capilar, logo não é surpresa um filme que paute o arco de sua protagonista por esta fase de mudança. E Felicidade Por Um Fio, faz isso literalmente, separando os diferentes momentos da moça, através de capítulos nomeados pelas diferentes fases de seu cabelo. Característica provavelmente herdada do livro em que foi inspirado.

Com quem ela se relaciona. Foi um relacionamento mal sucedido que deu um estopim para a mudança. Um encontro casual para "superar" o término, a coloca no rumo mais "naturalista". Ainda sem descobrir quem é, e o que quer da vida, ela engaja um terceiro relacionamento, apenas para ter uma recaída antes da grande libertação.

Catártico, no qual ela estava bêbada demais para lembrar na manhã seguinte. Violet parece querer se libertar, mas ainda pauta sua vida pelo que o rapaz da vez pensa. Mesmo que concordemos com o ponto de vista dele, não temos certeza se para a protagonista ele representa um novo ponto de vista, ou apenas um padrão diferente a ser seguido.

Grande causadora da obsessão da filha, e ainda fortemente presente na vida dela. A personagem devia servir de contraponto as mudanças da filha, mas desaparece após o choque inicial, voltando à cena apenas quanto o roteiro acha conveniente. Para piorar, a maioria dos momentos da mãe estão centrados nas expectativas quanto à vida romântica da filha. Vale mencionar aqui, que a necessidade de estar sempre impecável aos olhos da mãe está diretamente ligada a busca pelo par perfeito.

Zoe (Daria Johns), a mais interessante, já que começa com a repetição imposição de padrões a que a mocinha foi exposta, passando pela aceitação, reconhecimento e finalmente descoberta da beleza sem padrões. A relação da protagonista com as amigas, inicialmente as únicas a apontar para a personagem sua obsessão, também cria uma dinâmica interessante, porém pouco aproveitada pelo roteiro. O que também ganha poucas cenas é a relação da moça com o trabalho. Trabalhando em uma agência de propaganda, os trabalhos da moça refletem a forma como ela se enxerga. Mas, seus colegas de trabalho atendem aos estereótipos machistas da sociedade, e apenas isso.

Postar um comentário

0 Comentários