Filme Mentes Sombrias


Significa que a versão para as telas não possa atiçar a curiosidade do leitor para descobrir um pouco mais sobre esta história. Mentes Sombrias, baseado no primeiro livro da trilogia de Alexandra Bracken, acerta nesta característica, traz uma aventura compreensível para os não iniciados, e que gera interesse pelos livros.

Especiais, e estes "super-poderes" os fazem ser vistos como uma ameaça pelas autoridades, que os confinam em campos de custódia e os classifica de acordo com a periculosidade de seus poderes. Ruby (Amandla Stenberg de Jogos Vorazes, Tudo e Todas as Coisas), pertence à classe mais perigosa, mas consegue esconder sua verdadeira classificação por anos. Quando é desmascarada, a adolescente precisa fugir para sobreviver.

Enquanto o caos cultural, político e econômico causado pela ausência das crianças  na sociedade remete ao cenário visto em Filhos da Esperança. Mentes Sombrias bebe e muito de conceitos muitas vezes vistos e revistos na cultura pop. A falta de curiosidade, no entanto, é compensada pela combinação destas referências na construção desta nova aventura. Uma pena que o longa não tenha tempo para discutir mais afundo os questionamentos, que estas características levantam. É aqui que começamos a ter vontade de conhecer o livro.

Desde o grupo com quem constrói uma relação, até os antagonistas. Entre os amigos estão o líder/par perfeito Liam (Harris Dickinson), a adorável e pequena, logo dependente Zu (Miya Cech) e o inteligente Charles/Bolota (Skylan Brooks), formam grupo carismático, porém estereotipados. O mesmo vale para os personagens vividos por Gwendoline Christie, Mandy Moore e Patrick Gibson, cada um seguindo o esperado mesmo em momentos de ambiguidades e reviravoltas.

Entrega com relação aos demais personagens, deve funcionar para aqueles que conhecem o material, ou que acreditam que estes podem ser melhor trabalhados em possíveis sequências. Assim, como demais detalhes sobre este mundo, já que neste filme tudo que descobrimos é que este entrou em colapso, e parece abandonado, desesperançado e vazio.

Dos poderes das crianças. Apesar da pouca construção de personagens, o roteiro escrito pela própria autora em parceria com Chad Hodge, consegue passar o tom de urgência e perigo que as crianças passam, sem deixar de tratá-los como os jovens que são. Enquanto a direção da estreante em live-actions Jennifer Yuh Nelson (Kung Fu Panda 2 e 3) entrega o básico, e até consegue encontrar momentos para enfatizar de forma sutil aqueles temas e críticas que o roteiro aponta.

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