Filme A Primeira Noite de Crime


Porquê os participantes usam máscaras se o crime está liberado? Estas e outras perguntas já ecoavam na cabeça do espectador no primeiro filme da franquia Uma Noite de Crime. Os dois longas seguintes, se limitaram a emular o primeiro ao invés de ampliar seus conceitos. Então chega A Primeira Noite de Crime com a proposta de mostrar como a violência anual legalizada começou.

Pelos New Founding Fathers of America, novo partido que controla os Estados Unidos em sua maior crise econômica e social. Moradores da carente Staten Island, são coagidos convidados a ficar na ilha e participar das 12 horas contínuas onde todos os crimes são liberados. Inclua aqui o incentivo de cinco mil dólares, mais bônus para quem participar, e claro, segundas intenções do governo.

Gerard McMurray, e a proposta de mostrar as origens das 12 horas de violência expressada no título, A Primeira Noite de Crime fica mesmo só na promessa. Muito pouco é apresentado do caminho que levou o país ao caos que se encontra, muito menos os argumentos para a aplicação do experimento. E mesmo este não, faz muito sentido mesmo para uma platéia pouco familiarizada com o processo deste tipo de estudo. O quarto filme da franquia tem na verdade o mesmo objetivo dos seus antecessores, mostrar seus personagens em uma luta desenfreada pela sobrevivência, em meio ao maior número de cenas violentas possíveis.

Lugar a corrida pela vida, a produção não consegue apresentar os personagens de forma eficiente para gerar empatia no espectador. Aqueles que nos conduzem na história, e por que deveríamos temer, se restringem a estereótipos previsíveis. A mocinha trabalhadora (Lex Scott Davis), o adolescente que faz escolhas idiotas (Joivan Wade), o bandido de bom coração (Y'lan Noel), a vizinha escandalosa (Mugga), e por aí vai.

Que tem completa convicção na benfeitoria de sua pesquisa sem sentido. Entre eles, um monte de personagens ainda mais genéricos e esquecíveis, ao ponto do próprio roteiro esquecê-los quando conveniente. O maior exemplo é Skeletor (sim, esse é o nome do personagem de Rotimi Paul), simplesmente maluco e sedento por sangue, o que justifica seu nome e caracterização de desenho animado da década de 1980. Indo de encontro a proposta da libertação pela ausência de regras. Skeletor já é uma assassino no dia-a-dia, qual a graça de acompanha-lo nesse momento?

Bom argumento, são as metáforas com o nazismo e a Ku Klux Klan. Se a noite de crime é um pretexto para exterminar determinadas minorias, porquê assumir máscaras de grupos que tem como objetivo exterminar estas mesmas minorias? Vale mencionar que praticamente toda a população de Staten Island aqui é negra ou latina, enquanto o centro de operações do experimento é formado majoritariamente por caucasianos.

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