Resenha da Ilha dos Cachorros


De fato, as melhores são assim, com temas consistentes, muitas camadas e discussões apresentadas de forma acessível através do tom lúdico da animação. Ilha dos Cachorros, a nova animação de Wes Anderson traz metáforas à ditaduras e regimes nazistas e fascistas, em uma aventura no simétrico mundo do diretor.

Para a ilha/lixão vizinha à cidade. Atari (Koyu Rankin) de apenas 12 anos não se conforma com a separação de seu pet, e decide sair a procura de Spots (Liev Schreiber). Na ilha, ele recebe a ajuda de uma matilha de iguais composta por Chief (Bryan Cranston), Rex (Edward Norton), King (Bob Balaban), Boss (Bill Murray) e Duke (Jeff Goldblum). Enquanto na cidade, um grupo de estudantes comandados pela intercambista Tracy (Greta Gerwig) tenta desmascarar o prefeito e sua lavagem cerebral que condenou os cachorros.

Humanos japoneses falam apenas em japonês, inclusive Atari. Apenas os animais, e eventuais intérpretes como Tracy, falam inglês. Não que precisemos de ajuda para simpatizar com os verdadeiros protagonistas deste longa, os cães. Junto com o idioma e localização, vem as referências e elementos da cultura japonesa, que tanto podem ser encarados como homenagem, quanto apropriação cultural dependendo o espectador.

Seja nos movimentos bem marcados e controlados dos personagens. Estes consequentemente evidenciam a técnica em stop-motion escolhida para contar a história. Além dela a animação em 2D, é utilizada como recurso em momentos chave, e fazem alusão a animes japoneses de outrora. Sumô, teatro kabuki e os haikai estão entre as outras muitas referencias à cultura japonesa.

Porém similares na história da humanidade. Marketing para propagação de ideologias de ódio, governantes autoritários que se volta para uma parcela da população, genocídio, estão entre os assuntos abordados durante a jornada de Akira e companhia. Há tempo até para menções ao empoderamento feminino, e os atuais problemas de imigração. Tudo isso, sem perder a parte aventuresca e lúdica da animação.

O resultado, e a sensação de que algumas das personalidades mais curiosas foram sub aproveitadas. Especialmente, Júpiter (F. Murray Abraham) e Oracle (Tilda Swinton). Ao menos, os muitos rostos e focinhos em cena, comportam o desfiles de nomes conhecidos já tradicionais nas obras de Anderson. Além dos nomes já mencionados, Frances McDormand, Scarlett Johansson, Harvey Keitel, Ken Watanabe, Anjelica Huston e até Yoko Ono(!), emprestam suas vozes para personagens e participações especiais.

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