Resenha A Favorita


Movida pelo enxadrista. O mesmo acontece com a Rainha Anna da Grã-Bretanha, a quem todos desejam manipular, mas apenas duas jogadoras são dignas de tal feito em A Favorita.

Confidente, amante secreta e grande influenciadora da Rainha Anne (Olivia Colman), regente da Inglaterra do século XVIII. Seu lugar privilegiado na corte é ameaçado por sua prima Abigail (Emma Stone), que entra no castelo na posição de criada e logo galga seu caminho para se tornar a favorita da Monarca. As duas travam uma intensa guerra de poder e influência na corte.

Parece uma história que já foi contada várias vezes, e realmente é. A graça aqui está na forma como é contada, colocando uma lupa sobre os hábitos pequenos de "grandes pessoas", representada pela visão distorcida causada pelas lentes grande-angulares extremas, adotadas pelo diretor. E principalmente pelo estudo de personagens.

Responsabilidade que a posição denota. Os responsáveis pela nação tem hábitos vulgares e mundanos, abusam de seus privilégios e defendem seus interesses, enquanto desconhecem completamente as necessidades do povo. Apresentando um olhar crítico extremo do luxo, que faz o expectador repulsa ao invés de desejo pela vida privilegiada.

Passando pela confusão, excitação e infantilidade com uma fluidez precisa. Uma gama extensa de emoções e reações que não conseguem camuflar a tristeza constante em que vive a personagem, sentimento que sua intérprete deixa transparecer apenas com olhares.

Prestativa inocente enquanto trama de forma precisa contra a prima para ascender na corte. A Duquesa de Marlborough, é uma personagem mais rígida e controladora, que escolhe bem os momentos em que apresenta atitudes mais amáveis, ou se mostra mais vulnerável, para manter a Anne sob sua influência.

Monarca que pouco ou nada percebe. Essa dinâmica só funciona graças à capacidade do trio de interpretes em transpassar as nuances e muitas camadas de suas complexas mulheres. Pessoas que apesar de ter atitudes questionáveis não podem ser rotuladas simplesmente como vilãs ou mocinhas.

Das amplas janelas. Ou ainda através dos empertigados figurinos, cabelo e maquiagem, da época, com seus vestidos gigantescos, rostos exageradamente empoados e suas perucas ridículas. Mark Gatiss e Nicholas Hoult completam o elenco com atuações eficientes, para personagens que servem apenas de escada para o trio principal.

Final propositalmente anti-climático que A Favorita pode decepcionar alguns. Mas não se trata de uma falha do filme, mas apenas de uma escolha incomum para encerrar uma história contada diversas vezes, com ambientações diferentes.

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