Resenha Infiltrado na Klan


Tempos atrás reflete tão bem os tempos atuais. Infiltrado na Klan, de Spike Lee, aproveita o tom naturalmente inacreditável da história em que foi inspirado, para abordar uma temática complexa e ainda atual com um humor ácido e altamente crítico.

Infiltrar na Ku Klux Klan local. Após muitas conversas telefônicas com o grupo supremacista branco, chega a hora de participar pessoalmente. Aqui entra em cena Flip Zimmerman (Adam Driver), policial branco, e judeu, que personifica Ron nos encontros com o grupo. Não é preciso dizer, que sabotar a instituição por dentro, não é tarefa fácil, muito menos segura.

Mascarado daquele grupo. Os membros da KKK, são propositalmente caricaturas unidimensionais e orgulhosas de seu preconceito. Apesar de suas personalidades rasas, juntos eles formam uma entidade real e ameaçadora, bastante crível. À exceção é seu líder David Duke, vivido por Topher Grace como uma criatura de semblante frágil e aparentemente ponderada, que tentava mascarar o discurso radical de sua comunidade.

Flip é um judeu com pouca conexão com as dificuldades de seu povo, que vai ter sua identidade afirmada quando presencia pela primeira vez essa violência exacerbada e constante. Adam Driver consegue fazer esta transição de forma gradativa para nós, mas imperceptível para seus colegas de Klan. Através de olhares e expressões sutis que eventualmente escapam da postura fria e impassível que este adota para seu personagem.

Afinal se candidatar a um trabalho onde sabe que vai precisar se impor e provar constantemente, também é uma forma de luta. Até o fim da jornada, ele vai adquirir uma visão menos ingênua, mais consciente dos vários discursos que o cercam. E, consequentemente, uma postura mais contundente em relação à tudo isso. John David Washington acerta nas muitas nuances de seu crescimento, seja nos níveis de raiva ou no tom do de boche em relação à toda essa situação.

Ferramenta para construir sua crítica ao preconceito. Comédia sobre o absurdo da situação, sobre o estranhamento diante das tradições do grupo, sobre a imbecilidade de seus membros e até sobre as cenas de perigo, sempre com o timming afinado, mantém o espectador alerta e interessado. Além de provar que é possível sim fazer piada sobre o racismo, sem ser racista.

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