Resenha Se a Rua Beale Falasse


Percebem apaixonados e começam a planejar a vida juntos. Procurar uma casa, construir uma família... Esta poderia ser uma jornada relativamente simples e até comum, não fossem os jovens em questão parte de uma minoria marginalizada pela sociedade.

Começando sua vida juntos quando o rapaz é acusado de um crime que não cometeu. Grávida, a moça luta para provar a inocência do rapaz à tempo do nascimento do bebê.

Barry Jenkins depois de Moonlight: Sob a Luz do Luar, Se a Rua Beale Falasse tem tanto a dizer quanto seu predecessor. Mas ao contrário do que se pode imaginar, a produção desvia do caminho da investigação criminal e da busca por provas, para mostrar as consequências dessa injustiça, um belo romance e uma vida promissora interrompidos ainda em seu início.

Opostos na vida da narradora, Tish. O nascimento do romance idealizado, e a cruel realidade de um jovem negro nos estados unidos. A doçura do primeiro, potencializa ainda mais a sensação de injustiça e impotência do segundo. Não que o caso de Fonny, não seja revoltante por conta própria. Mas o vislumbre das possibilidades roubadas pelo preconceito e ódio, torna a sensação de perda ainda pior.

Filme tem seus pontos mais fracos, ao não mostrar um pouco mais ou mesmo oferecer o desfecho satisfatório, para algumas destas relações. Fora do círculo pessoal, acompanhamos as dificuldades geradas pelo preconceito, antes e depois acusação injusta. E os belos e raros vislumbres de esperança que causam espanto nos protagonistas. Como o momento que Fonny desconfia do proprietário de um apartamento que pretendem alugar, apenas por que ele os trata bem.

Mostrados de forma simples e clara. Em nenhum momento há dúvida quanto à inocência do rapaz.O questionamento é como lutar contra o sistema descaradamente criado para impossibilitar sua defesa.

Um paralelo acertado com o tom da trama, há sim muito amor envolvido, mas também muita desesperança. O design de produção e figurinos conseguem equilibrar o realismo pertinente à realidade cruel que esta família enfrenta, com os momentos mais lúdicos do romance "de cinema" dos protagonistas. Enquanto a câmera, volta e meia encara os personagens de frete e vice-versa. Estes longos closes silenciosos nos aproximam de Tish e Fonny tanto nos instantes apaixonados, quanto nos temerosos.

Delicadeza a transição de seus jovens ingênuos e esperançosos, para os adultos que descobriram que a vida não segue nossos planos. Mas é Regina King que se destaca, como a determinada mãe da jovem. Também estão em cena, Colman Domingo, Michael Beach, Aunjanue Ellis, Finn Wittrock, Diego Luna, Pedro Pascal e Dave Franco.

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