Resenha da Tudo que Quero


Personagens que povoam sua imaginação. Abaixo da superfície, esta jovem portadora de autismo quer dar um passo à frente, provar que é capaz de mais do que esperam dela. Não que esta busca seja consciente por parte da protagonista.

Dedicada à pessoas com algum tipo de deficiência intelectual. A rotina regrada é o que à mantém "funcionando" em sociedade. Entre seu nada divertido trabalho na lanchonete Cinnabon, e as tarefas do dia-a-dia, a moça também tem um tempo reservado para suas paixões, a escrita e o seriado Star Trek. Quando um concurso de roteiro para a série aparece a jovem logo produz sua própria aventura de Kirk e Spock. Ao descobrir que o texto não chegaria à tempo via correios na Paramount Pictures, Wendy decide levar seu trabalho pessoalmente.

Lidar com a fuga da jovem. Além de encontrar a irmã, esta última precisa superar a saudade, e a culpa por não ser mais sua tutora. Já a cuidadora, acaba por conviver mais com seu filho adolescente, que por vezes recebe menos atenção da mãe, já que é capaz de se cuidar sozinho.

De compreensão e relacionamento, em um mundo de pessoas que não percebe, entendem, ou se importam, com suas dificuldades. E aqui está o grande acerto do longa, tratar sua protagonista como qualquer outro personagem principal. Afinal todos eles tem suas dificuldades e desafios, os de Wendy, por acaso são atrelados à sua condição, sem que a narrativa a torne uma vítima ou caricatura. De fato, o filme sequer menciona, o tipo de deficiência que a moça carrega. Isso não é importante, Wendy é uma jovem com anseios, medos e desafios como qualquer outra, e isto basta para motivar uma jornada de crescimento e auto descoberta.

São mulheres fortes e determinadas, mas também são extremamente humanas e sensíveis, esta gama de sentimentos está é bem determinada pelas atuações de Collete e Eve. Já Fanning apresenta os trejeitos, e "sintomas" de sua personagem sem pesar a mão. O comportamento metódico, as crises de ansiedade, os ataques de raiva, a dificuldade de contato visual, entre outros comportamentos a que a personagem está presa, estão lá para que os percebamos sem que estes sejam explicados verbalmente, mas nunca de forma exagerada ou forçada. Ao ponto de os personagens com quem ela cruza em sua jornada, nem sempre os perceberem.

Eficientes ao criar um mundo realista e relativamente otimista. Já direção de arte serve bem à narrativa, ao logo no ínicio cercar Wendy dos recursos que precisa, para que estes sejam perdidos ao longo da trama. Do conforto sistemático de seu quarto, às cordinhas onde ela carrega seus objetos mais necessários, tudo tem sua função na vida da jovem.

Série Star Trek. Assim como Spock, a moça tem dificuldades de compreender e lidar com sentimentos. O paralelo com o Vulcano, permeia segue por toda a trama, e recompensa o espectador, quando este percebe o quanto a relação da moça com personagem a ajuda a compreender nosso mundo.

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