Sem Fôlego


Sem Fôlego acompanha duas jornadas separadas por cinco décadas, que compartilham a mesma busca, a procura por seu lugar no mundo.

Mãe famosa que não vê há tempos. Solitária e insatisfeita com as regras do pai, ela foge para reencontrar a mãe, tarefa complicada por sua condição. A menina é surda desde que nasceu. Já em 1977, é Ben (Oakes Fegley, Meu Amigo, O Dragão) quem se sente solitário após a morte da mãe. Ao encontrar o que acredita ser uma pista sobre a identidade do pai que nunca conheceu, ele também foge da casa dos tios.

Dificuldades e lugares semelhantes, incluindo o Museu de História Natural (aquele mesmo em que o Ben Stiller passou algumas noites). Eventualmente, é claro, estas jornadas já unidas por temática e rimas visuais se encontrarão em um terceiro ato que fecha todas as pontas, mas não consegue escapar da longa explanação para esclarecer todos os detalhes, e de ignorar alguns pontos convenientes (onde estão os tios de Ben?). O que vai de encontro à criatividade das escolhas narrativas dos dois primeiros atos. É nessa criatividade que residem o maior acerto e charme do longa.

Aproximando ainda mais do universo silencioso de protagonista. Inclusive nos momentos em que os "falantes" excluem Rose da conversa, deixando o expectador tão perdido quanto ela. Ao invés de diálogos, a trilha sonora marca ações, gestos e, claro, emoções, reforçando o tom de cada passagem.

Muitas das fotografias da época que encontramos hoje. Neste período de tempo o filme já tem som, e a música acompanha a época, com destaque para Space Oddity de David Bowie que conversa com a jornada de ambos os protagonistas.

Falado, emula a diferenciação de narrativas existente na obra original. No livro homônimo de Brian Selznick, que também é o roteirista do filme, a história de Ben é contada em texto, enquanto a de Rose em ilustrações do próprio autor.

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