CONFIRA

Serie The Handmaid’s Tale


Voltar a ser. Basta apenas uma escolha errada. The Handmaid’s Tale é uma daquelas necessárias obras que vem para nos lembrar disso.

Não demora muito para o medo da extinção criar o caos e uma nova ordem social se estabelecer nos Estados Unidos. A República de Gilead é um regime teocrático totalitarista, que reorganizou a sociedade em castas. Uma delas, as "Handmaids" (aias em português), é formada por mulheres comprovadamente férteis - leia-se que já tiveram filhos antes. Estas são designadas para as casas dos líderes governantes para gerar filhos para eles e suas esposas.

Offred ="of Fred", literalmente "de Fred" em inglês, nome do comandante a que foi designada. Sim, nesta sociedade até mesmo os nomes destas mulheres foram retirados e elas não são as únicas em uma situação absurda.

Sem consulta, prévio aviso ou explicação, até o ponto em que elas passam a ser propriedade do estado. O que vemos através de bem colocados flashbacks de seu passado. Descobrimos também como o novo sistema foi implantado e a reação das diversas pessoas à ele. Desde aqueles que lutaram contra, até os que foram convencidos. Lavagem cerebral também está entre os temas, muitas das mulheres foram levadas a crer que seu novo "papel" é necessário para a humanidade, além de um dever divino. Técnicas de vigilância, controle e para evitar a união das "classes inferiores" também são mostradas em cena.

Claro, não estão confortáveis com isso. Além da violência física, agressão moral e psicológica também são discutidas. As mulheres, não podem ter empregos, propriedades, ou mesmo ler. As aias não são mães dos bebês que geram,enquanto as esposas submissas ajudam seus maridos a terem filhos com outras, e criam as crianças posteriormente. E acima de tudo, são pessoas comuns que antes tinham trabalho, família, uma vida como a maioria de nós, o que torna todo o contexto uma realidade possível - e que existe sim de certa forma.

Sociedade pode chegar E aliás já chegou em alguns momentos da história humana, e tem absurdos semelhantes ocorrendo no momento em que você lê este texto.O mundo totalitário e sexista da maternidade, é apenas uma das maneiras de que a humanidade pode "dar errado". E não é uma novidade,O Conto da Aia, livro de Margaret Atwood que inspirou a série foi lançado em 1985.

A tecnologia existe, mas é limitada assim como a comunicação. As roupas são conservadoras tudo definido para supostamente criar um mundo "mais natural", que respeite o planeta e os preceitos desta religião extremista. O resultado é eventualmente nos surpreendermos ao ouvir a trilha sonora, cheia de clássicos modernos e percebermos que não se trata de uma produção de época. Jogando na cara do expectador novamente o fato de que esta realidade pode acontecer um dia.

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