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Em plena crise do coronavírus Bob Dylan


Embora logo saia dos trilhos: “Fiquem atentos e que Deus esteja com vocês”. Atentos? Parece que o lendário músico se inteirou de que há um vírus que está massacrando o planeta. Afinal de contas, ele o está impedindo de fazer o que mais gosta neste mundo: se apresentar em público. O texto foi publicado há algumas horas em sua conta no Twitter. É curto. Diz assim: “Obrigado aos meus seguidores pelo apoio e lealdade durante todos estes anos. Esta é uma canção inédita que gravamos faz algum tempo e que pode ser interessante para vocês. Mantenham-se a alvo, fiquem atentos e que Deus esteja com vocês”.

Suas contas do Instagram com shows acústicos inflados com histórias engraçadinhas ou compondo músicas que quando a pandemia terminar serão esquecidas, Dylan (Minnesota, EUA, 78 anos) apresenta a peça mais monumental de sua carreira, por duração, por densidade lírica e por número de palavras. Murder Most Foul (que pode ser traduzida como Um Assassinato Muito Sujo) também é sua primeira nova canção em oito anos, desde o álbum Tempest de 2012.

Revisita acontecimentos e figuras icônicas de seus anos mais intensos, os anos 60 e 70. É a música mais longa de sua carreira. O recorde era de Highlands, incluída no álbum de 1997, Time Out of Mind, com 16min31s. Há uma armadilha: não é uma canção que Dylan compôs e gravou no último mês, quando nosso mundo foi revirado pelo coronavírus. É provável que seja uma música registrada há relativamente pouco tempo (alguns meses, alguns anos), porque a canta com essa voz quebrada que exibiu nas últimas gravações e concertos.

Dallas, novembro de 63./ Um dia que viverá na infâmia. / O Presidente Kennedy estava no alto /. Um bom dia para viver e um bom dia para morrer”) e então ele recorda grandes acontecimentos da época, desenhando uma dramática história do declínio do Ocidente, exemplificada em seu país, os Estados Unidos. “Liberdade, oh liberdade. / Liberdade da necessidade. / Eu odeio dizer isso, mas apenas homens mortos são livres. / Envie-me um pouco de amor, não me diga mentiras”, grita em um dos versos mais sombrios e belos. Depois de um retrato obscuro e cínico da época, aponta uma salvação única, a música, encarnada nos Beatles, John Lee Hooker ou Patsy Cline.

Dylan, destaca a relevância de Murder Most Foul: “Dylan fechou outro círculo. Ele nunca gostou de falar, mas de cantar falando: começou fazendo talking blues e acabou recitando poemas pop. É uma canção belíssima, que no estilo talvez homenageie Leonard Cohen e na letra lamenta o declínio de uma época. Fala sobre Kennedy, mas eu ouço aí as mortes de Cohen, de Bowie, de Tom Petty, de Jerry Garcia e de dois dos quatro Beatles”.


FONTE: Brasil Elpais

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