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Não é hora de ódio e sim de empatia


Tão ameaçada ao mesmo tempo. A nova epidemia golpeia toda a Terra. Nesta guerra não há privilegiados. Todos estamos ameaçados de uma só vez. Romperam-se os clichês de ricos e pobres, de reis e plebeus. Atinge o centro e a periferia das cidades. Iguala pela primeira vez senhores e escravos.

De um aumento do ódio a tudo e a todos, ou o da empatia, da compaixão e de um abraço, mesmo que virtual, que una a todos em um mesmo sentimento de ser uma única família universal.

Tragédia que cobrará tantas vítimas é diabólico. Neste momento único de perplexidade universal, necessitamos mais do que nunca de sentimentos limpos que nos imunizem contra o ódio e o medo. Precisamos inventar palavras novas para dar nome à velha e surrada esperança.

Esperança nova, capazes de descobrir essa grande metáfora da humanidade, às vezes tão orgulhosa de si e às vezes como hoje tão impotente perante um simples vírus que a põe de joelhos.

Milhões de vidas foram tão universais como esta epidemia que abraça o mundo. Possivelmente por isso nos produza uma angústia inédita. Pelo desconhecido do novo vírus e por ter apanhado a ciência e a medicina de surpresa, também elas perplexas e amedrontadas. Algo que acredito ser verdade nestas horas incertas é que a humanidade não sairá vitoriosa desta nova guerra de inimigos invisíveis e imponderáveis se aumentar os decibéis do ódio e da informação maliciosa.

Brasil em relação a outros países, nem quantas vidas cobrará. Mas uma coisa é certa pelo que eu conheço e amo deste país. É que em sua imensa maioria ele conhece melhor do que muitos o que significam empatia e compaixão, especialmente entre os mais pobres, acostumados como são a viverem sem esperança e por isso mais solidários.

É, às vezes, de excessiva resignação perante a injustiça que o golpeia e para as quais as classes privilegiadas fecham os olhos. É a política que às vezes o envenena.

Trincheiras entre privilegiados e descendentes de antigos escravos. Nesta hora, em vez de fechar os olhos à cruel realidade que corresponde a todos, deveríamos organizar um grande abraço coletivo e simbólico, mesmo que virtual, que abranja a todos em um só desejo comum de sair deste teste melhor do que entramos, com mais vontade de nos amarmos que de nos odiarmos.



FONTE: Brasil Elpais

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