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Governo prepara novo protocolo para tratar a covid-19


Governo prepara novo protocolo

Ministério da Saúde nesta sexta-feira. Ele é o segundo mandatário da pasta que o Brasil perde em meio à crise sanitária por conta de divergências com o presidente Bolsonaro, que insiste em medidas desalinhadas ao que preconiza a ciência mesmo depois de o país alcançar 14.817 mortes e 218.223 casos confirmados da doença. Pouco depois de um breve pronunciamento de Teich no qual ele anunciou publicamente que deixaria o cargo, mas não explicou os motivos da saída,um grupo de ministros formou uma tropa de defesa do Governo Bolsonaro, exaltando feitos da gestão no combate à crise no dia em que o presidente completa 500 dias no cargo. Em uma coletiva de imprensa que durou cerca de duas horas, reclamaram da cobertura jornalística da pandemia e defenderam a reabertura econômica do país. A defesa mais enfática do grupo, no entanto, foi sobre o uso da cloroquina já no início dos sintomas, ainda que estudos apontem efeitos colaterais de seu uso e não haja evidências científicas sobre a eficácia do medicamento em casos da covid-19. Para o Governo Bolsonaro, o brasileiro que contrair coronavírus tem o direito de escolher se vai ou não ser tratado com o medicamento.

Ganhou força nos últimos dias, quando o presidente passou a pressioná-lo publicamente para endossar um novo protocolo para a aplicação do medicamento. “Tô exigindo a questão da cloroquina agora também. Se o Conselho Federal de Medicina decidiu que pode usar cloroquina desde os primeiros sintomas, porque o Governo Federal, via Ministério da Saúde, vai dizer que é só em caso grave?", afirmou o presidente, em uma reunião online com grandes empresários na quinta-feira, na qual expôs seu descontentamento com a falta de ação do ministro sobre o tema e prometeu que o protocolo sobre a cloroquina iria mudar. "Eu sou o comandante, o presidente da República, pra decidir, pra chegar pra qualquer ministro e dizer o que está acontecendo. E a regra é essa, o norte é esse. Eu não tô estuprando nenhum ministro, nunca fiz isso, nem interferindo em qualquer ministério, como nunca fiz. Agora votaram em mim para eu decidir e essa questão da cloroquina passa por mim. E mais do que pedir. Tá tudo bem com o ministro da saúde, mas essa questão nós vamos resolver”, ressaltou.

Medicamento para casos leves, segundo o jornal O Estado de São Paulo. Em nota, o Ministério da Saúde diz apenas que trabalha em novas orientações para o tratamento de pacientes com o novo coronavírus, incluindo a orientação de uso de medicamentos, mas não cita diretamente a cloroquina. Por enquanto, a pasta autoriza o uso do remédio, mas desde que médico e paciente assumam juntos os riscos de efeitos colaterais, seguindo parecer técnico do Conselho Federal de Medicina. Especialistas ouvidos pelo EL PAÍS rechaçam que haja benefício no uso precoce do remédio e há unidades de saúde, como o Hospital das Clínicas, que não o utilizam sequer nos casos graves, já que não há estudos que embasem sua eficácia. Os Estados Unidos país citado várias vezes por Bolsonaro como exemplo no uso do medicamento já retiraram a recomendação do uso de altas doses de cloroquina para o tratamento da doença fora de hospitais.

Social em determinadas localidades onde o epidemia avança rapidamente, o que dificultaria a abertura econômica defendida pelo presidente desde o início da crise foram cruciais para a saída de Teich, ainda que oficialmente ministros militares tenham sustentado que o oncologista deixou o Governo por uma “decisão de foro íntimo”. Segundo fontes do Planalto, Bolsonaro fez um ultimato: ou Teich falaria a mesma língua do presidente ou estaria fora do Governo. Como o ministro não tinha apoio político como o seu antecessor Henrique Mandetta , a novela acabou tendo pouquíssimos capítulos. Teich deixou o cargo dois dias antes de completar um mês no cargo.

Bolsonaro esteve com a imunologista e oncologista Nise Yamaguchi. Ela volta a ser cotada para o ministério por assessores presidenciais. Nas redes bolsonaristas no WhatsApp, que costumam ser levadas em conta pelo presidente, Yamaguchi é uma das favoritas, ao lado do deputado federal Osmar Terra (MDB-RS). O parlamentar é um dos negacionistas da gravidade da pandemia e já afirmou que o país não teria mais que 5.000 óbitos, um terço do que já registrou até agora.

O presidente Bolsonaro diz que analisará com calma todos os nomes que lhe forem sugeridos. E não está descartada a possibilidade de efetivar o próprio Pazuello, um especialista em logística que fez carreira no Exército, sem nunca ter atuado na área de saúde. Se for efetivado, será o décimo ministro, entre 22, com carreira militar no Governo Bolsonaro. Pazuello é um defensor da cloroquina para tratar a covid-19 ainda nos estágios inicias da doença. Sob seu comando, a pasta diz que está finalizando novas orientações de assistência aos pacientes. “O objetivo é iniciar o tratamento antes do seu agravamento e necessidade de utilização de UTI (Unidades de Terapia Intensiva). Assim, o documento abrangerá o atendimento aos casos leves, sendo descritas as propostas de disponibilidade de medicamentos, equipamentos e estruturas, e profissionais capacitados”, diz o ministério, em nota.


FONTE: Brasil Elpais

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