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Novas revelações de ex-aliado acossam Bolsonaro



Tentou interferir na Polícia Federal do Rio de Janeiro para proteger seus filhos, alvos de investigação. A retomada do assunto já estava na agenda do Supremo. Mas o que o presidente não contava era com uma entrevista bomba dada pelo empresário Paulo Marinho, seu ex-aliado, à jornalista Mônica Bergamo, da Folha de São Paulo. Marinho, que é suplente do senador Flavio Bolsonaro e teve papel decisivo na campanha eleitoral do então presidenciável do PSL em 2018, revelou que o filho do presidente soube antecipadamente de uma operação da Polícia Federal que atingiria Fabricio Queiroz, seu ex-assessor. A informação chegou a Flavio entre o primeiro e segundo turno da eleição e acabou protegendo Queiroz e o próprio Flavio, na apuração sobre as rachadinhas em seu gabinete.

Está envolvido na investigação de potenciais crimes que o presidente possa ter cometido, seguindo as acusações de Moro. Marinho contou que Flavio soube por intermédio de um delegado simpatizante de Bolsonaro sobre o curso da operação Furna de Onça, que investigava transações suspeitas de dinheiro, e passavam pelas chamadas ‘rachadinhas’ da Assembleia Legislativa do Rio. Queiroz, amigo de longa data do presidente, trabalhava para Flavio quando ele era deputado estadual. O hoje senador foi deputado entre 2003 e 2018. “Eu vou te contar uma história que nunca revelei antes porque não tinha razão para falar disso. Eu tenho até datas anotadas e vou ser bem preciso no relato que vou fazer”, disse Marinho na entrevista.

Foi procurado por Flavio Bolsonaro pedindo indicação um advogado criminalista. Dias antes, a imprensa havia revelado que Queiroz havia movimentado 1,2 milhão de reais em contas suspeitas ao longo de um ano. Segundo Marinho, Flavio soube da investigação sobre Queiroz logo após o primeiro turno da eleição, em outubro. Pelos relatos ouvidos do próprio Flavio e de seu advogado, Marinho reproduz o que o delegado teria dito a um interlocutor de Flavio, o Coronel Braga, hoje chefe de seu gabinete no Senado. “Vai ser deflagrada a Operação Furna de Onça, que vai atingir em cheio a Assembleia Legislativa do Rio. E essa operação vai alcançar algumas pessoas do gabinete do Flavio. Uma delas é o Queiroz e a filha dele, Nathalia”. Personal trainer, Nathalia era empregada do gabinete de Jair Bolsonaro quando ele era deputado, e a imprensa descobriu que ela não cumpria expediente, mesmo ganhando salário. Queiroz está desaparecido e não responde a requisições da Justiça, que já concluiu que ele movimentou na verdade uma quantia de até 6 milhões de reais, incluindo as 'rachadinhas’ que alcançam o senador Flavio Bolsonaro.

PF ainda contou com outro detalhe preocupante. Segundo Marinho, o delegado simpatizante de Bolsonaro disse ao coronel Braga que a operação ia ser adiada para não atrapalhar o segundo turno.

Paulo Marinho e os demais nomes citados por ele na entrevista sejam ouvidos no âmbito do inquérito conduzido pelo ministro Celso de Mello. “As informações divulgadas pelo então apoiador [Paulo Marinho] revelaram conexões com a atual investigação no STF que apura interferências políticas na Polícia Federal”, diz. Também a PGR se manifesta sobre o assunto. Segundo o jornal O Globo, um ofício foi enviado à Polícia Federal para que o depoimento de Marinho seja incluído no inquérito que apura eventuais interferências do presidente na PF.

Defendeu dizendo que nunca foi alvo da operação Furna de Onça desmentindo seu suplente. “Nem eu, nem meu ex-assessor, éramos alvo da operação da Polícia Federal (PF) denominada “Furna da Onça”. Mas, segundo meu suplente Paulo Marinho (agora assumidamente representante de Dória no Rio - PSDB), eu teria recebido informações de que a PF investigava meu ex-assessor.

Feito nos últimos domingos. Acompanhado de 11 ministros, e usando máscaras de proteção, assistiu a uma carreata em seu apoio e acenou para uma centena de manifestantes que apareceram na porta do Palácio do Planalto. “Agradeço a todos que estão aqui; os que torcem para que o Brasil realmente ocupe o lugar de destaque que ele merece. Nenhuma faixa, nenhuma bandeira que atente contra a nossa Constituição ou contra o Estado democrático de direito. O movimento está de parabéns", afirmou Bolsonaro, em vídeo divulgado nas redes sociais.


FONTE: Brasil Elpais

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