CONFIRA

Três de cada dez pacientes internados em UTIs



Têm precisado de leitos de terapia intensiva uma estrutura que inclui equipe médica especializada e aparelhos como respiradores e ventiladores mecânicos para ajudá-los principalmente a respirar durante a fase mais aguda da infecção. Mas mesmo os resultados em pacientes que conseguem chegar à terapia intensiva desvelam uma alta mortalidade da nova doença em sua manifestação mais grave. Três de cada dez pessoas que passaram pela UTI com a covid-19 morrem no Brasil, segundo estima uma plataforma da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) que monitora 13.695 leitos deste tipo, cerca de um terço do total do país.

Grupo de pacientes que precisaram da ventilação mecânica para ajudá-los a respirar. Segundo a mesma plataforma, apenas um em cada três pacientes com o novo coronavírus que foram internadas nessas estruturas e entubadas consegue de fato se recuperar e voltar para casa. A mortalidade elevada em quem tem um grande comprometimento dos pulmões não é uma característica exclusivamente brasileira.

A importância do dado é pra chamar atenção da população sobre essa gravidade”, diz o médico Ederlon Rezende, que integra o conselho consultivo da associação. Os dados estão em uma plataforma chamada UTIs brasileiras, que não inclui todos os leitos de terapia intensiva do país, mas que contém uma amostragem representativa, já que cadastra cerca de um terço desse tipo de leito em todos os Estados. Os dados que incluem informações de casos admitidos ao longo de dois meses e meio, entre 1 de março e 15 de maio lançam luzes sobre as características demográficas das UTIs que recebem os casos mais graves da doença (que, segundo estimativas científicas internacionais, corresponde a até 5% dos infectados).

Média 10 dias internados e que a maioria deles (54%) têm mais de 65 anos de idade. Também lança luzes sobre os tipos de tratamento específico mais demandados por essa população, que nem sempre necessita apenas da ventilação mecânica, já que o novo coronavírus provoca inflamações sistêmicas que podem prejudicar também o funcionamento dos rins e até a circulação do sangue.

Ou seja, todos eles têm uma capacidade estrutural e de organização maior. “São hospitais melhor organizados, que conseguem coletar dados mesmo durante uma pandemia. A realidade nua e crua tende a ser pior ainda”, alerta Rezende. Isso porque parte dos leitos que vêm sendo abertos para a pandemia enfrentam dificuldades para equipá-los com respiradores e também contratar profissionais especializados. O grande volume de pacientes com a doença tem colocado sistemas de saúde de vários Estados à beira do colapso, com uma demanda que cresce numa velocidade maior que a capacidade dos governantes em abrir novos leitos.

Qualificados porque são unidades de saúde bem estruturadas, mas ao comportamento da covid-19. “Esses pacientes, se eles não receberem a ventilação mecânica, a mortalidade é 100%. A ventilação mecânica conseguiu salvar um de cada três. O dado é duro, mas é importante para chamar a atenção da população sobre a necessidade de se proteger”, afirma Rezende. Enquanto ainda não há medicamento capaz de curar a doença nem vacina para proteger a população, especialistas indicam que a forma mais eficaz de se proteger do vírus é cumprindo as medidas de isolamento social.

Gravidade da doença nos 5% de pacientes mais críticos que precisam de cuidados intensivos tem chamado a atenção dos médicos intensivistas. “No paciente que apresenta complicações e vem pra UTI, a covid-19 tem sido bem agressiva. A gente realmente tem uma dificuldade grande de conseguir retirar o paciente da UTI e mandar para a enfermaria. A mortalidade também é alta”, conta um médico intensivista que trabalha em unidades de terapia intensiva tanto da rede pública quanto da rede privada no Ceará e que preferiu não se identificar. Ele diz que seus pacientes têm permanecido entre 15 e 20 dias na terapia intensiva e que alguns precisam de outros tratamentos específicos além dos respiradores.

Passam a precisar de hemodiálise. Uma parcela menor precisa fazer circulação sanguínea extracorpórea, com o auxílio de equipamentos específicos. Segundo a plataforma UTIs brasileiras, 13% dos pacientes com a covid-19 precisaram de hemodiálise enquanto 30% precisaram de drogas para estabilizar a pressão, um cuidado que necessita ser monitorado por equipamentos. A saída do paciente, segundo os médicos, não depende só da estrutura da UTI. Há um esforço de garantir equipamentos e profissionais e dificuldades para conseguí-los em diversos Estados. Mas a idade e as comorbidades influenciam muito, além da gravidade desta doença nova. “Às vezes, a gente vê um paciente até com melhora da função pulmonar com perspectiva de sair do tubo, aí ao longo do dia ele piora e não conseguimos tirá-lo do respirador”, afirma o médico do Ceará.


FONTE: Brasil Elpais

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