CONFIRA

A Itália perde o medo do coronavírus 2020



O turismo ainda não voltou a uma das cidades mais exploradas na última década pelas companhias aéreas de baixo custo. Mas Nápoles, como tantas cidades do sul da Itália, deixou para trás a toda pressa o medo da covid-19. Talvez até rápido demais, alertam os especialistas. O uso da máscara caiu vertiginosamente, e as medidas de distanciamento começam a parecer um velho protocolo. A última pesquisa da empresa SWG conclui que os cidadãos “muito preocupados com o vírus” passaram de 57% para 18%.

Registradas 23 mortes, uma a menos que na véspera, a menor cifra desde 2 de março. As mortes acumuladas chegaram a 34.657 e se contabilizaram 221 contágios, para um total de 238.720. Mas há indicadores, como as multas por organizar festas, o retorno aos comércios (as compras online caíram de 49% em 11 de maio para 34% em 12 de junho) e a queda na venda de máscaras (pela metade com relação aos piores dias da pandemia, afirma a entidade setorial das farmácias) que alertam as autoridades sanitárias.

Copa da Itália pela equipe local, mostra um relaxamento evidente. No bar de Ciro Buonerba, na esquina da estação central, ninguém está de máscara. “O que você quer que eu lhe diga? Aqui tivemos poucos contágios. Nosso perigo de morte agora é a queda do turismo, não o vírus”, observa o garçom que atende o balcão lotado.O mesmo acontece em muitos hotéis e comércios. O bom comportamento do sul durante a pandemia contribuiu para esse clima relax.

No norte, a mortalidade dobrou durante a pandemia, com picos selvagens que superaram 560% em lugares como Bérgamo, epicentro da tormenta. Nas regiões meridionais, por outro lado, a mortalidade não subiu excessivamente e, em alguns lugares, como Roma em março, inclusive foi mais baixa que em 2019. As estatísticas aqui falam de uma ferida que cicatriza depressa. Também de uma memória curta.

Certamente haverá alguns surtos, não daquela maneira tão virulenta porque estamos preparados para intervir. O problema é fazer as pessoas entenderem que o risco é geral. O vírus circula em todo o mundo e provoca danos muito graves. É um problema global, nenhuma parte do mundo está imune. Em lugares onde seu impacto foi zero, pode explodir agora.

Terça-feira três bairros foram contaminados na localidade de Palmi (Calábria) quando se detectou um número excessivamente alto de contágios concentrados em um reduzido núcleo vicinal. Em Roma também foram localizados dois focos importantes há apenas duas semanas. “A covid-19 ainda circula entre nós, não se deve baixar o nível de atenção, as reuniões e festas destes dias são uma bofetada nos médicos e familiares das mais de 34.000 vítimas”, comentou o ministro de Assuntos Regionais, Francesco Boccia.

Grande parte do escasso turismo internacional que a Itália receberá no verão optará por visitar zonas meridionais que até agora se mantiveram relativamente isoladas. E 93% dos movimentos serão domésticos, segundo a entidade setorial, deslocamentos que ocorrerão principalmente do norte para o sul, em busca das praias. “Nos lombardos é que deveriam passar por controles”, opina Gianni Zaccaria, em uma banca de legumes de Forcella. Estas são as famosas duas Itálias.


FONTE: Brasil Elpais

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