CONFIRA

população insegura na pandemia reabertura



Comercial visto como precipitado por epidemiologistas, bares e restaurantes voltaram a funcionar nesta segunda-feira em São Paulo, sob novos protocolos e com movimento tímido. Os estabelecimentos passaram a poder funcionar durante seis horas, até as 17h, e com apenas 40% da capacidade. Também terão que adotar medidas mais rígidas de higiene.

Zonas mais boêmias da capital paulista, tinha vendido até às 14h30 cerca de dez pratos. Com a proibição de utilizar a área externa e manter um distanciamento maior entre as mesas, o espaço, que antes comportava até 150 clientes, passou a ter capacidade para atender 50 pessoas. “O movimento está bem fraco. Foram bem poucos os restaurantes da região que se aventuraram a reabrir. Está todo mundo inseguro”, diz Bernardo Café, garçom do restaurante, atrás de uma máscara e um escudo de material acrílico que cobre toda sua face.

Disponibiliza álcool em gel em um totem da porta, apenas um cliente, o advogado Danilo Pereira, almoçava sozinho em uma mesa perto de uma janela. “Não aguentava mais comer a minha própria comida todo dia, queria sair um pouco de casa, ver a rua”, explica. “Acho que com todo o protocolo de segurança e sem causar nenhuma aglomeração não há problema. Não dá para a gente viver o tempo com paranoia ou vamos morrer dentro de casa de hipertensão”, completou o advogado que mora no bairro.

Medir a temperatura da pessoa, que precisava estar abaixo dos 37,5ºC. Além do espaçamento maior entre as mesas, cada uma delas possuía um QR code para ler o cardápio através do celular. Apesar do local ter mais público no período da noite, o proprietário apostou mesmo assim no horário diurno para poder abrir as portas e começar a se adaptar as novas regras de segurança. “Queremos mostrar para a opinião pública que é seguro, seguindo todos os protocolos, voltar a frequentar bares. Aqui temos uma área bastante arejada, o espaço correto de distanciamento das mesas, só pode circular no local de máscara, colocamos o cardápio em QR code, estávamos ansiosos para o retorno”, diz Humberto Munhoz, sócio do bar.

Governo comece a autorizar que os bares possam atender até às 22h para que os locais sobrevivam à nova realidade. "É preciso entender que 70% do setor é noturno, então a autorização de só abrir apenas de dia não é suficiente, é preciso mais. E as mesas nas áreas externas, em local totalmente arejado, deveriam ser autorizadas alinhado com os protocolos das cidades da Europa".

Cerca de 30% dos estabelecimentos devem reabrir. “A maioria vai ficar na espera de uma situação um pouco melhor, de mais segurança. É preciso que os clientes estejam menos temerosos e que haja mais confiabilidade nas autoridades. Afinal, abrir e depois fechar será desastroso para quem está fragilizado economicamente”, explica.

Faturamento das empresas do setor caiu, em média, mais de 75%. Ainda segundo o levantamento, mais de 57% dos empresários tiveram que demitir funcionários. Dentre os proprietários que conseguiram manter as equipes, 83% suspenderam os contratos temporariamente através do programa Benefício Emergencial, em que Governo paga o corresponde a 100% do seguro-desemprego aos empregados. Em contrapartida, o funcionário tem a garantia de emprego pelo dobro do tempo de duração da suspensão contratual.

Gera uma despesa mais alta do que manter apenas a atividade em delivery ou até mesmo fechada. “Há um custo maior porque você precisa ter funcionário cuidando de protocolos novos e por outro lado tem um faturamento menor. É um recomeço muito complicado. E os proprietários estão com dificuldade de conseguir crédito na ponta para manter as operações.

323.070 infectados e 16.134 óbitos notificados.O Governo afirma, entretanto, que pela segunda semana consecutiva houve queda no número de mortos pela covid-19 e que a taxa de letalidade caiu para 5%, sendo a menor já registrada desde o início da pandemia. Os números, no entanto, seguem altos, mostrando que a doença não está controlada, o que pode justificar o receio que ainda paira na população sobre a doença.

Esse horário aqui tinha fila na porta. Mas, agora que não tem quase ninguém na ruas e as pessoas estão trabalhando de casa, quem vai vir?”, questiona. O funcionário já tem dúvidas se o local conseguirá sobreviver aos impactos da pandemia. “Até o delivery foi fechado devido à pouca demanda do serviço. O proprietário não demitiu ninguém ainda, está aguentando as pontas, dando uma força grande para a gente, mas se o movimento não voltar como vamos fazer?”, diz após atender a única mesa com clientes.

Ele apostou numa grande reforma no local e mudou quase toda a estrutura. O sistema de self-service, querido pelos brasileiros por ser uma alternativa rápida, com alimentos variados e mais acessível ao bolso, foi repaginado no local. “Agora tenho um funcionário que serve o buffet para os clientes”, diz ao explicar que a metodologia é mais segura em tempos de coronavírus. Ele também apostou em divisões de acrílico em todas as mesas para dificultar a possibilidade da disseminação do vírus.

Bruno Covas, pediram cautela à população diante da flexibilização. Ambos frisaram que não queriam que se repetisse em São Paulo o que ocorreu na semana passada no Rio de Janeiro, em que dezenas de grupos se reuniram, sem máscara, na porta de bares no boêmio bairro do Leblon. “Não queremos em São Paulo as cenas a que assistimos no Rio de Janeiro e em Londres. Super aglomeração, pessoas sem máscaras, com dosagem alcoólica elevada e que não prestam atenção nem ao distanciamento e nem à sua própria proteção”, afirmou Doria. Covas ressaltou que essa fase de flexibilização não deve ser confundida com a comemoração do fim da pandemia.

Beleza, estética e bem-estar. Os funcionários deverão utilizar touca, máscara reutilizável e óculos de proteção ou protetor facial, gorro, avental impermeável de mangas longas e luvas para tratamentos. Os salões deverão lavar ainda os cabelos e orelhas dos clientes antes de iniciar o corte de cabelos para minimizar a possibilidade de contaminação. Já o serviço de manicure precisará diminuir a quantidade de esmaltes expostos, usar luvas e higienizar a poltrona.


FONTE: Brasil Elpais

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