Ex-Fla goleiro brasileiro concilia carreira


Serviço militar obrigatório. Esta é a inusitada realidade vivida por um brasileiro em Israel. O arqueiro Daniel Tenenbaum, do atual bicampeão Maccabi Tel Aviv, há dois anos precisa, entre treinos e jogos, "bater ponto" no quartel.

Carreira para cumprir o serviço militar na Coreia do Sul. Mas em Israel isso é praticamente uma rotina para os jovens atletas nascidos no país, que impõe o alistamento e serviço obrigatório para jovens a partir dos 18 anos. É necessário, entre os homens, pelo menos 32 meses servindo às forças militares do país, em uma regra que se aplica também àqueles que se tornam cidadãos israelenses. É o caso de Daniel, que rumou para o país em 2016, após se tornar profissional no Flamengo.

Após se profissionalizar no Flamengo, onde chegou aos 15 anos, Daniel não conseguiu espaço no time principal, tendo feito apenas uma partida oficial no clube, em 2014. Então, em 2016, aos 21, decidiu tentar a sorte em Israel, país com o qual tem laços familiares.

Cidadania israelense, concedida a descendentes de judeus. Com o novo passaporte também veio a obrigação, que os jovens do país geralmente vivem aos 18 anos - alguns conseguem se livrar, mas, em geral, quem se recusa a se apresentar pode ser preso.

Ter que participar de operações em um país sempre envolvido em conflitos regionais. Mas logo desmistificou o serviço obrigatório.

No primeiro mês, houve o treinamento obrigatório, fiquei direto na base. Depois para outra, ia para casa para dormir. Hoje em dia, só faço serviços administrativos, mas tenho que usar farda, sim (risos). É uma experiência legal no fim das contas.

Servindo, marcando presença no quartel praticamente todos os dias. Quando é necessário se ausentar pelas viagens do Maccabi, no dia seguinte não há folga: é preciso se apresentar.

Fica tudo em função da agenda de treinos. Se eu treino de manhã, vou à tarde. Vou sempre no turno oposto ao escritório. Tenho que ir todo dia, só consigo permissão especial para jogos ou para concentrar aqui ou para viajar. Eles sabem disso, eu resolvo com o comandante. Todo dia depois do jogo tenho que aparecer lá - conta.

Que se formou em administração enquanto concluía as categorias de base no Flamengo. Desde os 17 anos, ele se acostumou com as viagens de mais de 36 quilômetros do Ninho do Urubu, em Vargem Grande, na Zona Oeste, até a Gávea, na Zona Sul do Rio de Janeiro, onde ficava sua faculdade.

Infância para ele, que começou no futsal do Vasco aos 13 anos, passou para os gramados e acabou tendo que abandonar o esporte por um tempo pela mudança nos horários do treinamento, que poderiam atrapalhar a rotina em seu colégio. Então, se aventurou por cerca de dois anos no remo, já pelo Flamengo, antes de tentar a vida no futebol de novo. Aprovado em uma peneira, passou a integrar as categorias de base rubro-negras.


FONTE: GLOBO ESPORTE

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