Banco Mundial alerta que a recuperação econômica

 


Contra um novo coronavírus em menos de um ano. Seis meses depois, esse prodígio científico foi operado, com várias imunizações aprovadas pelas autoridades sanitárias dos principais países, outras tantas a caminho, e as fábricas já em pleno funcionamento. Agora, as interrogações têm mais a ver com o ritmo das campanhas de vacinação: quanto antes ocorrerem, mais rápida e robusta será a recuperação. Tudo, absolutamente tudo, está nas mãos do coquetel de antígenos. E as primeiras notícias não são das melhores.

Perda de 2020 (-4,3%). Mas os dois caminhos alternativos são absolutamente divergentes. No mais otimista, o “controle bem-sucedido da pandemia e um processo de vacinação mais rápido” permitiriam ao PIB global escalar 5%: em menos de um ano, já se superaria o nível prévio à pandemia. No mais pessimista, os riscos associados a eventos extremos imporiam sua lei, e o atraso no calendário de vacinação provocaria também um aumento no número de doentes e pressionaria notavelmente o crescimento para baixo: os 4% virariam um enxuto 1,6%, o segundo menor registro anual em quase três décadas, depois do estrondo de 2009 (-1,7%), derivado da explosão financeira em Wall Street e, sobretudo, do afundamento do ano passado.

Freios na administração da vacina: o gargalo logístico e a reticência de amplas camadas da população a serem vacinadas, o que complicaria a necessária imunidade coletiva. Em um cenário ainda mais severo, no qual as crises financeiras se generalizassem mundo afora —algo que praticamente nenhuma casa de análise sequer leva em conta nos seus prognósticos, depois de um 2020 em que, apesar da recessão, os riscos no setor bancário foram contidos graças à ação dos bancos centrais—, “o crescimento mundial poderia inclusive ser negativo em 2021”.

Os vetores desta relativa melhora são dois: uma queda menor que a esperada nos países ricos apesar de a recuperação ter estacando nos últimos compassos do ano, dado o avanço da segunda onda e uma recuperação “mais sólida que o antecipado” na China, que salvou a mobília com sobras (+2%) e neste ano crescerá 7,9%. No lado contrário, o dano na sala de máquinas econômica no resto do bloco emergente foi “mais grave que o esperado”. No Brasil, o órgão estima um crescimento de 3% neste ano, após queda de 4,5% em 2020.

E chegou quando o mundo ainda acumulava um importante passivo de décadas anteriores e cresciam as vozes de alerta sobre sua sustentabilidade, especialmente nos países emergentes. O mundo está no que o órgão credor cataloga como “quarta onda” de endividamento, após as dos anos setenta e oitenta na América Latina e alguns países da África Subsaariana, a dos noventa e começo dos 2000 na Ásia-Pacífico e a do início deste século nos países ricos, que se concentrou no setor privado e derivou na Grande Recessão. As três, recorda, acabaram derivando em explosões financeiras com reverberações de alcance global.

Aborda sobretudo os países de renda média e baixa, de longe o elo mais frágil. “A comunidade internacional deve agir de forma rápida e contundente para assegurar que esta não acabará sendo, como as anteriores, em um encadeamento de crises da dívida nos emergentes”.

Emissões para fazer frente aos enormes gastos derivados da crise sanitária. “Isto chega depois de uma década em que a dívida global [pública e privada] já tinha crescido até atingir um recorde de 230% do PIB. Um nível alto, que deixa os devedores em uma situação de vulnerabilidade perante qualquer mudança repentina no apetite dos investidores por risco”, advertem os economistas do Banco Mundial em sua revisão.

Graças às notícias positivas sobre as vacinas mascaram as crescentes vulnerabilidades subjacentes”, afirma o estudo. “Já desde antes da pandemia não havia margem para complacência: com frequência, as crises eram desencadeadas por choques exógenos que aumentaram com força a aversão ao risco dos investidores e freadas repentinas nos fluxos de capitais. E as desacelerações do crescimento mundial foram frequentemente catalisadores de crises.



FONTE: Brasil Elpais

Postar um comentário

0 Comentários