Gallardo para o zagueiro do River

 


Além da longevidade na casamata, o protagonismo entre os professores, técnicos y maestros sul-americanos também se traduz em resultados: desde 2014, são dois títulos de Libertadores (2015 e 2018) e quatro semifinais consecutivas. Mas nem tudo é altivez e nobreza no Reino del Muñeco, que hoje começa a decidir contra o Palmeiras uma vaga na decisão da maior competição continental, como deixou evidente um áudio após o Superclássico contra o Boca Juniors, no último sábado, pela Copa da Superliga Argentina.

Quando provavelmente até o mais dedicado dos volantes ainda digeria o assado da virada, o clássico disputado na Bombonera configurou-se como un partidazo, como dizem os castelhanos. O Boca Juniors saiu vencendo, mas sofreu a virada quando já estava com um jogador a menos, no segundo tempo. A situação caminhava para mais um triunfo millonario sobre rival de toda a vida, algo corriqueiro nesses anos de bonança para os lados de Núñez.

E justamente esse lance deu voz aos instintos mais primitivos de Marcelo Gallardo. Um vídeo da ESPN da Argentina mostrou que ao fim do jogo, abraçado ao zagueiro Rojas, responsável pelo combate a Carlitos no lance do empate, Gallardo lhe dizia, com açougueira sinceridade: "Rompele el tobillo!". Em português, seria mais ou menos como "Arrebenta o tornozelo dele", seguido de um "hacete más duro, carajo" ("seja mais duro, cacete", com todas as piadas incluídas).

Destroçasse o tornozelo de Tevez, mas deixando escapar aquele sincero e visceral conselho que vociferam torcedores e suplentes em todos os hemisférios, desde a várzea até o futebol profissional: "DÁ NO MEIO DELE". Ou algo assim. De qualquer forma, coloca um pouco mais de espírito mundano (e o mau-caratismo também é mundano) nesse personagem que os veículos argentinos retratam apenas como um baluarte moral do River Plate, Napoléon da estratégia, condutor das recentes grandes batalhas millonarias.

River perdia por 1 a 0, virou a partida e garantiu a vaga na final. Gallardo é desenhado como um sujeito de enormes preceitos éticos e (justamente) reconhecido como baluarte da alegria millonaria, mas lhe são frequentes essas trampas que caem tão bem apenas aos que vestem a mesma camisa. Mas El Muñeco, apesar do cartaz e da juventude, e além de sua insuspeita inteligência e capacidade, muitas vezes personifica apenas a "velha Libertadores", mas vestida com casaco bem cortado.



FONTE: GLOBO ESPORTE

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