Morrer sem oxigênio em Manaus 2021

 


Falta de oxigênio nas unidades de saúde colapsadas pelo aumento das internações por covid-19 mas os números são incertos e vários relatos davam conta de que o total de vítimas que morreu sem ar pode ser maior. As cenas de desespero das equipes médicas e de parentes ao redor dos centros de atendimento se multiplicaram, numa situação que é crítica e não têm solução imediata, admitem agora as autoridades do Estado e do Governo federal, depois de meses de negligência com o avanço da pandemia. No momento, há uma corrida desesperada tanto para transportar cilindros de oxigênio na própria capital como para importar o insumo até via fluvial de outras partes do país. Enquanto isso, tenta-se transferir pacientes estáveis para outros Estados.

Médico intensivista Anfremon D’Amazonas, que também trabalha no Hospital Getúlio Vargas, contou a operação hercúlea montada para tentar salvar os pacientes apesar da falta de O2. Primeiro colocaram todos de bruços (pronar, no jargão médico), para melhorar a oxigenação. Depois, a corrida para trazer pequenas quantidades de oxigênio usadas em outros setores do hospital. “A gente conseguiu salvar quem dava, quem podia”, lamentou.

Zona centro-oeste da cidade, a busca por transporte de cilindros de O2 mobilizou famílias de pacientes internados e até mesmo policiais, convocados para reforçar a segurança em frente às unidades de saúde. Há relatos de familiares que pagaram do próprio bolso para garantir oxigênio oas doentes. No SPA do Coroado, no leste, ao menos dois pacientes morreram à espera de atendimento.

Força Aérea Brasileira (FAB) para levar oxigênio até a cidade. Nesta semana, Pazuello esteve no Amazonas e usou sua entrevista a jornalistas no local para cobrar a aplicação do “tratamento precoce” contra a covid-19 usando cloroquina. Trata-se de uma obsessão da Administração federal que não tem respaldo científico no mundo, apesar de ser chancelado por entidades de classe médicas no Brasil.

A última coisa foi dizer que o que está acontecendo em Manaus foi por falta de tratamento precoce. Dizer isso é uma sacanagem com quem trabalha sério. O Governo tem que preparar o país para a segunda onda, porque ela é devastadora e está levando vidas.”

Remoção inicial de 90 pessoas para os Estados do Maranhão, Piauí e Distrito Federal nesta quarta. Estão previstas ainda transferência de outros 145 com a ajuda da Força Aérea Brasileira nos próximos dias para o Rio Grande do Norte e Goiás.

Doença, nos meses de abril e maio de 2020. Na ocasião, o consumo máximo foi de 30 mil metros cúbicos/mês. No segundo pico, o consumo passou a 76 mil metros cúbicos por dia, segundo o principal fornecedor do gás ao Governo do Estado, a fábrica White Martins. A empresa afirma que este quantitativo é quase o triplo da capacidade nominal de produção da unidade local, de 28 mil metros cúbicos, após ampliação.

Meses de crise, não houve aumento da capacidade efetiva de atendimento intensivo do Estado, toda concentrada em Manaus, apenas remanejamento de alas para serem dedicadas ao combate da covid-19. O Amazonas contabiliza mais de 5.900 óbitos, num Estado com uma população de 4,2 milhões habitantes. Nesta quinta, foi dia de mais recordes: o Estado registrou o maior número de infecções em um único dia, 3.816 casos nas últimas 24 horas, totalizando 223.360 infectados. Nos primeiros 14 dias de janeiro, foram 1.654 mortos por todas as causas na cidade. É mais do que todos os sepultamentos realizados desde o auge da pandemia, em abril, até dezembro: 1.285 óbitos, um número catapultado pela pandemia.

São Paulo e Ceará. De balsa, a duração da viagem chega a durar de 4 a 5 dias. Via aérea, cada viagem em um C130 (Hércules da FAB) consegue transportar 5.000 metros cúbicos do gás. Nesta quinta-feira, a aeronave encontrava-se em manutenção para poder retornar ao trajeto. Para suprir a demanda atual seriam necessárias 35 viagens diárias.

Contra dores intensas, estão sendo consumidos em uma semana. No caso da claritromicina, indicada para o tratamento de pneumonia, sinusite crônica e aguda e amidalite aguda, o consumo previsto para um ano está sendo feito em 10 dias. “Vamos ter furo na programação e atendimento”, diz uma mensagem de um funcionário do hospital a que a reportagem teve acesso.



FONTE: Brasil Elpais

Postar um comentário

0 Comentários