Plataforma do Ministério da Saúde indica cloroquina

 


Chamada TrateCov, com os protocolos do Ministério da Saúde iniciassem um tratamento precoce em um paciente contra a covid-19. Acessei a plataforma nesta quarta-feira para ver como funcionava e preenchi a ficha médica com o nome de meu gato, Moreré, de 1 ano. Coloquei alguns dados que poderiam ser de uma criança da mesma idade 8 quilos, 70 centímetros e sintomas de febre e fadiga por apenas um dia. A página criada pelo Governo Jair Bolsonaro entendeu então que ele poderia estar com covid-19 indicou possíveis tratamentos precoces com remédios sem eficácia comprovada contra a doença.

Cloroquina 500 mg; 12 comprimidos de Hidroxicloroquina 200 mg; 1 comprimido diário de Ivermectina 6mg; 5 comprimidos de Azitromicina 500 mg; 10 comprimidos de Doxiciclina 100 mg; ou ainda 14 comprimidos de sulfato de zinco por 7 dias.

Marquei que ele possui insuficiência cardíaca. De acordo com análises médicas, a cloroquina e hidroxicloroquina, usados contra a malária, pode afetar os batimentos do coração. Mesmo sabendo desse risco, o algoritmo da plataforma do Governo Federal indica os medicamentos.

A plataforma é “um ambiente de simulação” que provisoriamente está “disponível, exclusivamente, para médicos e enfermeiros que atuam na Secretaria de Saúde do Município de Manaus, na Secretaria Estadual de Saúde do Amazonas e Hospitais privados do Município de Manaus”, conforme está descrito.

Ministério da Saúde esclarece que o TrateCov orienta opções terapêuticas disponíveis na literatura científica atualizada e oferece total autonomia para que o profissional médico decida o melhor tratamento para o paciente, de acordo com cada caso”, afirma. “A pasta também esclarece que a lista de medicamentos sugeridos na plataforma pode sofrer alterações de acordo com os estudos científicos em andamento”, explica. Também afirma que a plataforma é “uma ferramenta criada para auxiliar médicos na coleta de sintomas e sinais na presença dos pacientes, desenvolvida para uso exclusivo e facultativo de médicos cadastrados”. E conclui dizendo que “o diagnóstico e o tratamento sugerido pela plataforma sem a avaliação clínica pelo médico habilitado não possuem validade e não substituem o diagnóstico clínico realizado pelo profissional”.

Capital amazonense, com pacientes internados com covid-19 morrendo asfixiados por causa da falta de oxigênio. Dias antes, o ministro havia estado na capital do Amazonas e afirmou que o “tratamento precoce” era um pilar de sua gestão. E deu a entender que o colapso no sistema sanitário da cidade poderia ter sido evitado se esse protocolo tivesse sido seguido.

Domingo que não existem tratamentos contra a covid-19 que não seja a prevenção pela vacina, Pazuello vem repetindo reiteradas vezes que sua pasta nunca indicou nenhuma forma de tratamento precoce. Ele vem falando agora em “atendimento precoce”. O TrateCov mostra que o ministro mente.



FONTE: Brasil Elpais

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