Bolsonaro se reúne com governadores para discutir

 


Ignorou ofertas de negociações de vacinas. E viu seu ministro da Saúde ser investigado por omissão. Teve como barreira um Congresso Nacional que não atuou contra o Planalto. Mas quando o Brasil se tornou o epicentro da doença, com 298.676 óbitos e mais de 12,1 milhões de infectados, e quando economistas e banqueiros começaram a cobrá-lo publicamente, ele decidiu agir e ensaiar uma nova conduta. Nesta quarta-feira, tentará dar um verniz de liderança que nunca exerceu, de fato, ao coordenar uma reunião com representantes de todos os poderes e de governos estaduais. Diante de tudo que o presidente fala e faz, deve ser mais uma ação para acalmar os ânimos do que uma mudança de rumo.

Câmara dos Deputados, do Senado Federal e apenas seis dos 27 governadores do Brasil. Será uma espécie de confraria entre chefes de Executivos estaduais, já que no grupo somente um dos governadores convidados, Renan Filho (MDB-AL), não é um bolsonarista-raiz. Os outros todos costumam apoiar a maioria das pautas do presidente, são eles: Romeu Zema (NOVO-MG), Ronaldo Caiado (DEM-GO), Wilson Lima (PSC-AM), Ratinho Júnior (PSD-PR) e Coronel Marcos Rocha (PSL-RO).

Ainda que a região Norte tenha dois, os governadores do Amazonas e de Rondônia. Na prática, o presidente e seu entorno querem evitar que ele seja alvo de críticas, como a que ocorreu um ano atrás quando o governador João Doria (PSDB-SP) cobrou liderança de Bolsonaro e gerou um debate acalorado entre os dois antigos aliados. Naquela ocasião, o tucano disse ao presidente: “O senhor, como presidente da República, tem que dar o exemplo. E tem que ser o mandatário para comandar, para dirigir, para liderar o país e não para dividi-lo”.

Não adianta chamar apenas os governadores aliados ou de regiões específicas. Cada Estado tem suas peculiaridades. As medidas de enfrentamento ao coronavírus exigem o Estado brasileiro na sua totalidade”, afirmou o líder da minoria no Senado, Jean Paul Prates (PT-RN).

Esperavam o convite de Bolsonaro e que preferem agir conforme orientações de suas equipes, já que não dá para contar com o presidente. “Essa reunião não terá efeito prático. Se tiver um resultado positivo, serei o primeiro a aplaudir a iniciativa, mas não vejo perspectivas. Como o ditado popular diz: deste mato não sai coelho. É mais uma ação para inglês ver”, afirmou Prates.

A reunião ocorrerá um dia após ele fazer um pronunciamento oficial no qual fingiu nunca ter criticado as farmacêuticas que produzem os imunizantes. O cenário inteiro, no entanto, é caótico. Na terça-feira, o presidente empossou sigilosamente seu novo ministro da Saúde, o médico Marcelo Queiroga. A cerimônia ocorreu de maneira discreta, no gabinete presidencial e não constava da agenda do mandatário. A posse só ocorreu depois que a base parlamentar do presidente passou a cobrá-lo e a pedir que, se o novo ministro não assumisse oficialmente logo, deveria escolher outro nome para a pasta, de preferência um político do Centrão, o grupo de centro-direita que sustenta o presidente na Câmara. Há dias se arrastava o limbo no ministério mais estratégico do Brasil da pandemia, com um ministro demissionário na cadeira, o general Eduardo Pazuello, e outro à espera de poder tomar as rédeas da pasta.

Tentar se descolar na imagem de Bolsonaro, rejeitado pela condução da crise de acordo com as principais pesquisas de opinião recentes. No fim da semana, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG) enviou um ofício à vice-presidente dos Estados Unidos e do Senado americano, Kamala Harris, no qual ele solicitou que ela intervenha junto ao Governo Joe Biden para vender as vacinas excedentes para o Brasil. Também aprovaram uma moção em que pede ajuda internacional de outros países, algo que Bolsonaro não fez.

Audiência coletiva com representantes de todas as farmacêuticas para entender os gargalos na comercialização de vacinas. E, nesta quarta-feira, deverão interpelar o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, sobre os esforços que o país tem feito para a compra dos imunizantes.



FONTE: Brasil Elpais

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