Escolhas que fizemos para as crianças

 


Tentativa de conter o avanço do coronavírus. A medida afetou 3,5 milhões de crianças e adolescentes da rede estadual e 2,3 milhões de alunos da rede particular, sem contar os estudantes das redes municipais. São Paulo era o primeiro Estado a ser arrastado para dentro da crise sanitária e o fechamento das instituições de ensino afetou milhares de famílias. “Tive de sair da creche onde trabalhava em Campinas, não consegui conciliar o trabalho com as demandas do ensino híbrido das minhas filhas”, conta a pedagoga. “Eu podia me afastar, mas sabia que outras mães não podiam parar de trabalhar.

Mostra do que estava por vir. Oliveira faz parte do grupo de educadores que foi em busca de soluções para o fechamento das escolas. Dialogou com professores da Alemanha, Argentina e Portugal. A expectativa, naquele primeiro momento, era trocar boas práticas para que as crianças e adolescentes pudessem voltar à sala de aula o mais rapidamente possível. A possibilidade de um período longo de educação à distância não era atrativa para nenhum país.

Plataforma online, acessada por celular ou computador, ou mesmo rádio,televisão e apostilas impressas,os demais tentam equilibrar uma forma híbrida entre o presencial e o ensino à distância.As escolhas que fizemos para as crianças foram terríveis”, lamenta a professora.A sociedade discutiu se devíamos ou não voltar à sala de aula, e não o que precisávamos fazer para poder voltar. Isso mostra a falta de compromisso brasileiro com as crianças.

Descendente e uma política pública focada no ambiente escolar com regras sanitárias claras em relação a transporte público, alimentação e retorno para casa. Sem contar os protocolos de segurança caso nada disso dê certo. Esses critérios são baseados em um levantamento da consultoria Vozes da Educação, realizado em agosto de 2020 em uma amostra de 20 países. Naquele momento da pandemia, Alemanha, China, Dinamarca, França, Nova Zelândia, Portugal e Singapura mostravam os melhores resultados como países que reabriram as escolas sem registrar índices de contaminação fora do controle entre alunos e professores.

Alguns países tivessem que voltar atrás no plano de retorno de aulas presenciais. É o caso da Alemanha e Dinamarca, como mostra o mapa interativo do Banco Mundial, que acompanha em tempo real a situação das escolas no mundo. Os demais países que se destacaram na pesquisa no final do ano passado ainda mantêm as instituições de ensino abertas, mas com limitações.

Países europeus como Espanha, Portugal e França, e dos Estados Unidos e Canadá. Relatório do Banco Mundial alerta que na região os prejuízos econômicos podem chegar a 1,7 trilhão de dólares em produtividade após dez meses de fechamento das escolas. “Com mais de 80% dos estudantes abaixo dos níveis mínimos de proficiência, as perdas de aprendizagem prejudicariam fortemente a obtenção de habilidades básicas em vários países”, destaca o relatório. No Brasil, o fechamento das escolas pode fazer com que 70% das crianças deixem de compreender textos simples, segundo o relatório.

Epidemiológico da doença, forte adesão da sociedade a práticas de prevenção, como uso de máscara, distanciamento e ocupação de espaços ao ar livre, além de transparência e comunicação de confiança com as comunidades escolares”, diz Raquel Franzim, coordenadora de educação do Instituto Alana. Ela aponta que esse conjunto de características, aliado ao monitoramento de casos e regionalização de aberturas, permitiu a alguns países manter escolas abertas em plena pandemia.Desde o início as autoridades epidemiológicas alertaram para que tivéssemos um olhar regional, num país continental como o Brasil. Infelizmente, um ano após o início da pandemia, não conseguimos garantir esses aspectos com uma colaboração entre os entes federativos.

Hoje sabemos que isso não é o suficiente”, diz. A infraestrutura da sala de aula é o que pode diferenciar entre uma abertura segura ou um ambiente de contágio. Por exemplo, a existência de ventilação cruzada, com porta e janelas que garantam passagem de ar, e não apenas a veneziana, que, muitas vezes, só abre parcialmente. “Isso é um aspecto que consta de indicadores de qualidade do próprio MEC há décadas, mas grande parte das escolas brasileiras, até mesmo da rede privada, não garante o mínimo de infraestrutura”, afirma.

Contornar os problemas, mas em muitos locais são os professores e pais que estão tendo que viabilizar sozinhos alternativas para a conectividade. “As famílias não têm equipamento para garantir um ensino remoto”, afirma. Dados do Censo da Educação Básica 2019 revelam que no ensino fundamental, 38,5% das escolas municipais não possuem acesso à internet. Já no ensino médio, a situação é um pouco melhor, 90% das escolas estaduais têm internet. Mas isso não é refletido na casa das famílias. Segundo a pesquisa TIC domicílios de 2019, na zona rural brasileira 48% dos domicílios não têm acesso à rede mundial de computadores, sendo que 39% dos indivíduos nunca acessaram a internet. Nas casas das famílias das classes D e E esse percentual sobe para 50% da população.

Câmara dos Deputados e o Senado Federal aprovaram um projeto de lei (PL 3477/2020) que define que o Governo federal destine 3,5 bilhões de reais para Estados e municípios aplicarem em ações para a garantia do acesso à internet para estudantes e professores da educação básica. Mas o Governo vetou o projeto no último dia 19 de março, causando perplexidade. “Diante da falta de coordenação nacional, ao menos até o momento, seria a primeira ação importante na área da Educação realizada pela União desde o início da pandemia”, diz, em nota, o Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed). “Não fosse o esforço de Estados e municípios até aqui, na oferta de ferramentas para garantir a aprendizagem no período, os danos teriam sido ainda maiores”, completa o Consed.



FONTE: Brasil Elpais

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