EUA questionam ensaio da vacina AstraZeneca

 


Contra a covid-19, disseram autoridades sanitárias dos Estados Unidos, pondo em dúvida o possível lançamento do fármaco no país e causando um novo golpe ao seu prestígio. A admoestação pública das autoridades federais surge um dia depois de dados provisórios apresentados pelo laboratório mostrarem resultados melhores que os esperados no ensaio feito com mais de 32.000 indivíduos nos Estados Unidos, Chile e Peru.

Oxford, teve, segundo esse ensaio, uma eficácia de 79% na prevenção de formas sintomáticas da doença e de 100% contra as formas graves ou críticas, incluindo casos de internação. Nos maiores de 65 anos que eram 20% da amostra no estudo a vacina teve eficácia de 80%, sem acarretar risco agravado de formação de coágulos sanguíneos. Os novos dados, que ainda devem ser revisados por pesquisadores independentes, incluem 141 infecções leves entre 32.449 participantes.

Manifestou sua preocupação com o fato de a AstraZeneca ter possivelmente incluído informações obsoletas nesse ensaio, o que poderia oferecer uma visão incompleta dos dados de eficácia”, segundo o Instituto Nacional de Alergias e Doenças Infecciosas (NIAID, na sigla em inglês) dos Estados Unidos, dirigido pelo epidemiologista Anthony Fauci, principal assessor do Governo de Joe Biden para questões de saúde.

Cifras mais precisas e atualizadas sobre sua eficácia serão divulgadas o quanto antes”, diz o comunicado publicado na madrugada desta terça-feira.O pedido de informações adicionais é comum durante a avaliação dos ensaios clínicos de um medicamento.O que não é normal é que seja feito publicamente, como neste caso. A AstraZeneca, que foi informada sobre as dúvidas das autoridades norte-americanas, respondeu nesta terça-feira que compartilharia com o comitê a sua análise primária incluindo dados mais atualizados.

Nunca vi algo assim, é muito preocupante”, declarou ele ao jornal The New York Times. As empresas que patrocinam ensaios de medicamentos ou vacinas geralmente só anunciam resultados depois que o comitê independente analisa os dados e determina que o estudo ofereceu uma resposta satisfatória. Nos últimos dias, a análise do DSMB sobre o ensaio da AstraZeneca foi adiada várias vezes porque foi preciso solicitar relatórios revisados, segundo uma fonte do jornal. Finalmente, os resultados da revisão foram comunicados ao laboratório em uma reunião no fim de semana, o que levou ao anúncio da empresa nesta segunda.

A função desse comitê é fiscalizar o estudo e avaliar os dados clínicos para garantir um desenvolvimento seguro e ético das pesquisas. A autorização e as diretrizes para o uso da vacina nos Estados Unidos serão determinadas após uma revisão exaustiva dos dados por parte de comitês assessores independentes, acrescenta o comunicado.

Vacinação devido a casos de trombose em algumas pessoas que tinham recebido a injeção representou um duro golpe à reputação do imunizante. A Agência Europeia de Medicamentos (EMA, na sigla em inglês) avalizou na semana passada a segurança e eficácia do fármaco da AstraZeneca e confirmou que os coágulos observados em alguns indivíduos não estão diretamente relacionados com a administração dessa vacina, embora não tenha descartado riscos isolados.



FONTE: Brasil Elpais

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