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Estresse pós-traumático depressão e ansiedade

 


Grave da Covid-19, pesquisadores da USP (Universidade de São Paulo) observaram uma alta prevalência de déficits cognitivos e transtornos psiquiátricos. As avaliações foram conduzidas no Hospital das Clínicas entre seis e nove meses após a alta hospitalar.





Percebido declínio da memória após a infecção, e outros 13,6% desenvolveram transtorno de estresse pós-traumático. O transtorno de ansiedade generalizada foi diagnosticado em 15,5% dos voluntários, sendo que em 8,14% deles o problema surgiu depois da doença. Já o diagnóstico de depressão foi estabelecido para 8% dos pacientes em 2,5% deles somente após a internação.






Foram divulgados na revista General Hospital Psychiatry.






Alterações cognitivas ou psiquiátricas observadas nesses pacientes se correlaciona com a gravidade do quadro. Também não vimos associação com a conduta clínica adotada no período de hospitalização ou com fatores socioeconômicos, como perda de familiares ou prejuízos financeiros durante a pandemia de Covid-19”, conta Rodolfo Damiano, médico residente do Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina (FM-USP) e primeiro autor do artigo.







Professor da FM-USP Geraldo Busatto Filho, no qual um grande grupo de pessoas atendidas no Hospital das Clínicas entre 2020 e 2021 vem sendo acompanhado por profissionais de diversas áreas, entre elas otorrinolaringologia, fisiatria e neurologia, a fim de avaliar eventuais sequelas deixadas pelo Sars-CoV-2.







Preliminares foram descritos nesse artigo”, afirma Damiano à Agência Fapesp. O trabalho foi orientado pelo professor da FM-USP Eurípedes Constantino Miguel Filho.







Se esse vírus e a doença por ele causada têm impacto a longo prazo, produzindo manifestações tardias no sistema nervoso central”, diz E. Miguel.







Correlação clara entre a condição psiquiátrica e a magnitude da doença na fase aguda ou fatores psicossociais incluindo os de natureza socioeconômica ou vivências traumáticas corrobora a hipótese de que alterações tardias relacionadas à infecção pelo Sars-CoV-2 (como processos inflamatórios associados a alterações imunológicas, danos vasculares associados a coagulopatias ou a própria presença do vírus no cérebro) teriam papel na origem dos transtornos.







Alterações neurológicas, nesses pacientes contribui com evidências adicionais de que essas alterações psiquiátricas possam refletir a ação do Sars-CoV-2 no sistema central.






Demoravam em média duas vezes mais do que o esperado para a idade [com base em valores médios descritos na literatura científica para a população brasileira]. E isso foi observado para todas as idades”, conta Damiano. “Além disso, mais da metade relatou, de forma subjetiva, um declínio na memória.







Sintomas depressivos, estados de ansiedade, irritabilidade, fadiga, insônia, dificuldade de memória e concentração) no grupo estudado (32,2%) foi maior do que a relatada para a população geral brasileira (26,8%) em estudos epidemiológicos.







Ansiedade generalizada (14,1%) foi consideravelmente maior do que na média dos brasileiros (9,9%). A prevalência de depressão encontrada (8%) também é superior à estimada para a população geral do país (entre 4% e 5%).







Clinicamente [por problemas cardíacos, renais, diabetes e outras comorbidades] e, consequentemente, já apresentam mais sintomas psiquiátricos. Isso foi considerado na análise. Mesmo corrigindo para esse fator, a prevalência observada no estudo foi muito alta”, afirma Damiano.






Mas com nenhuma outra doença viral se observou tanta diferença e perdas cognitivas tão significativas como com a Covid-19. Uma das possíveis explicações é o próprio efeito do vírus no sistema nervoso central”, afirma. “Se essas perdas são recuperáveis é algo que ainda não sabemos.









FONTE: CONTEÚDO CRIADO POR BRASIL NOTICIAS ONLINE 1

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