Tensão aumenta nas trincheiras da guerra da Ucrânia

 


Sussurro seu colega do Exército ucraniano Serguei Bodnar. Perto, ônibus calcinados e oxidados mostram as cicatrizes do que em outra vida foi a estação de ônibus da próspera Pisky, a poucos quilômetros da cidade de Donetsk, controlada pelos separatistas pró-russos. “Essa é uma das zonas mais perigosas dessa área do front. Às vezes são somente 20 a 60 metros até as posições inimigas”, recita em voz baixa Kasyanenko recolocando o fuzil AK 47, antes de começar a correr para se proteger através das ruínas da cidade, completamente destruída na guerra do Donbass.




Completar oito anos. Apesar dos acordos de paz de Minsk de 2015, a última guerra da Europa não parou e esteve sendo cozida em fogo lento. É um barril de pólvora que só precisa de uma faísca para acabar em novas hostilidades abertas. Nesses dias de inverno, nas labirínticas trincheiras de Pisky e nos quartéis e destacamentos do Exército ucraniano, ao longo dos 450 quilômetros da linha do front, a tensão disparou pelo acúmulo de tropas russas nas fronteiras. A ideia de que o conflito, que já causou 14.000 mortes, segundo estimativas das Nações Unidas, possa estar entrando em uma nova fase, e o temor de outra guerra quente e maior, paira por cima de tudo.




Corroborada por um porta-voz da Casa Branca e que inclui fotos de satélites dos últimos dias, detalha a posição do que os serviços secretos indicam como grupos táticos de uma centena de batalhões, blindagem pesada, artilharia e outros equipamentos militares perto da fronteira oriental da Ucrânia. O Ministério das Relações Exteriores russo negou nesse sábado o conteúdo do relatório e acusou Washington de tentar agravar a situação e de culpabilizar Moscou.




Ucranianos e ocidentais de que a Rússia pode organizar uma invasão em escala maior do que a de 2014, quando após as mobilizações pró-europeias que estabeleceram a guinada ocidental da antiga república soviética que o Kremlin mantinha sob sua órbita, dezenas de homens vestidos de verde militares russos com uniformes sem identificação entraram na Crimeia e junto com emissários de Moscou e do FSB (os serviços secretos russos, herdeiros da KGB) desenvolveram a operação de anexação da estratégica península ucraniana à Rússia, que foi coroada com um referendo considerado ilegal pela comunidade internacional; uma manobra que causou mobilizações dos independentistas pró-russos no Leste, alimentados por Moscou, na declaração das autodenominadas “repúblicas populares” de Lugansk e Donetsk, e na guerra do Donbass.




Mobilização de reservistas russos e de uma “incipiente” mobilização de infraestrutura de apoio, como hospitais de campanha. A maioria das vozes, entretanto, concorda que as intenções do veterano presidente russo, Vladimir Putin, que sempre mostrou um especial apetite por manter a influência sobre os territórios da antiga URSS e por ressuscitar o espírito imperial da Rússia como uma superpotência, não estão claras. Tudo, em um cenário particularmente elétrico também pela crise migratória orquestrada nas fronteiras da UE por Belarus, cada vez mais próxima a Moscou, e pela crise energética em que algumas capitais europeias veem a mão do Kremlin e uma fórmula de pressão para acelerar a aprovação do controvertido gasoduto NordStream 2, que levará gás russo diretamente à Alemanha sem passar pela Ucrânia e Polônia.



Capacete e acende um cigarro. O ambiente está muito carregado no pequeno quarto, com um fogareiro para café, duas mesas e um par de cadeiras. “Sequer podemos sair para fumar habitualmente. Muito menos para patrulhar. Esse é um território extremamente quente para nosso batalhão”, comenta Kasyanenko, de 24 anos. Em uma das paredes do destacamento da brigada mecanizada, um mapa tático detalha em vermelho as posições inimigas que cercam as próprias, marcadas com pontos azuis. “Eles são ‘diabos fodidos’; nós, ‘demônios’, diz Bodnar esboçando um pequeno sorriso. A barba castanha quase não oculta o que há pouco tempo era um rosto adolescente. “O inimigo está situando e reordenando suas tropas ao longo de nossa fronteira, mas só mostram uma parte e isso não é por acaso. Podem estar realizando muitas outras ações e preparações ocultas”, avisa Kasyanenko. “E quando falo do inimigo falo da Rússia, que é nosso inimigo real. Se não fosse pelo Kremlin, a DNR autodenominada república de Donetsk não existiria”, finaliza.




Rússia alimenta a última guerra ativa da Europa e documentam seu apoio logístico e transferências de armas às autodenominadas repúblicas de Donetsk e Lugansk. Lançadores de granadas, rifles de franco-atirador e minas terrestres que nunca foram utilizados pelo Exército ucraniano, de modo que o material não pode ter sido capturado pelos separatistas, indica um relatório recente da consultoria especializada Conflict Armament Research, que também fala de armamento especializado de fabricação russa, como o sistema de mísseis antiaéreos que derrubou em 2014 um avião civil e matou seus 298 passageiros.




Moscou só está tomando “medidas técnicas e militares adequadas” para responder ao que definiu como uma crescente atividade da OTAN na Ucrânia e seus arredores. “Só olhem quão perto das fronteiras russas a infraestrutura militar da Aliança do Atlântico Norte se aproximou”, disse Putin na quarta-feira no Kremlin, na cerimônia de credenciamento de novos embaixadores. “Para nós, isso é mais do que sério”, acrescentou o líder russo, que em casa está aplicando uma política de pulso firme e aumentou a repressão à oposição e à sociedade civil.







FONTE: DIA BRASIL NEWS, AJUDE NOSSO SITE COMPARTILHANDO CONTEÚDO NOSSO GALERA ..........

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