Doações despencam na pandemia e situação agrava fome de famílias

 

Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional). O impacto da perda de renda e desemprego pode ser sentido de forma mais intensa  nas comunidades do país. As doações despencaram e cada vez mais famílias buscam por uma cesta básica.

Em dois anos de pandemia, 14 milhões de pessoas entraram para o grupo que sofre com a fome e se somaram aos 19 milhões já existentes.

Grande parcela da população", afirmou Nilson de Paula, pesquisador da Rede Pensann.

 3.000 cestas eram distribuídas ao mês antes da Covid-19. Hoje, esse número não chega a 100.

Para quem trabalha, os preços subiram e os salários diminuíram, assim compram menos. O desemprego está alto ainda. Quando chega uma cesta, a gente entrega para a família que não tem o que comer. Não tem mais data para entrega coletiva", afirma Antônia Cleide Alves, presidente da Unas (União de Núcleos, Associações dos Moradores de Heliópolis e Região). 

É moradora de Heliópolis "desde que tudo aqui era só barraco". Hoje vive de doações porque a aposentadoria só dá para pagar os remédios e algumas despesas.

Condições de comprar carne. Não recebo todo mês doação. Com a cesta básica, eu tenho o que comer. Falta mistura, o gás é caro. Tô em cima da cama, sem poder andar. Quando andava, eu mesma ia atrás de cesta. É difícil", revela.     

Não conseguem ajudá-la financeiramente. O marido morreu em fevereiro e ela não tem mais a Loas [benefício sócio-assistencial pago pelo INSS] que ele tinha direito. Sem convênio, aguarda uma cirurgia, mas ainda nem está na fila do Sus (Sistema Único de Saúde). 

No entanto, hoje a distribuição de doações atende outros critérios, como necessidade, os que estão sem gás de cozinha, desempregados, idosos, quem tem mais filhos. "Tá difícil, sabe? A necessidade é muita. São as que estão no perrengue mesmo", explica a líder comunitária.

Segundo Antônia Cleide, são muitas famílias no desespero: "Esperam até cinco meses para análise do cadastro. Todos os dias vêm, no mínimo, quatro pessoas para ir no Cras [Centro de Referência de Assistência Social]. Tento conseguir também via Conselho Tutelar. 

Reciclagem, mas fiquei doente. Minha filha está entregando currículo e faz bico com caça-níquel. Tenho 58 anos e o povo já olha pro cabelo branco", pontua.

Vamos no mercado pechinchar, não dá pra fazer despesa. O quilo do feijão está R$ 10, o sabão em pó quase R$ 30. Meus cartões estão parados. Virou uma bola de neve e estou renegociando, uma hora nós saímos disso", acredita.


FONTE: DIA BRASIL NEWS, AJUDE O NOSSO SITE COMPARTILHANDO NOSSOS CONTEÚDOS .....
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